Comprei uma garrafa de espumante especialmente para enfrentar a realidade. Parar de viver no mundo paralelo e voltar para esse, olhar para o que restou depois da última crise. Parece tão fácil, não é? Continuo enrolando, minha mente quer continuar naquele mundo que ela pode controlar, naquele mundo onde a dor não dói de verdade. As vezes penso mesmo que é melhor, já que a mente consegue simular com muita semelhança o que ela finge que você sente do que você realmente sente. Eu acho. Lembro-me de um artigo sobre o tema, mas pode ser algo que minha mente criou. Isso é ser eu: nunca ter certeza se a memória traz algo que você viveu ou que pensou que viveu. Ou, talvez, sonhou. Tive um sonho péssimo, se todos os presentes no meu sonho são eu mesma, dois de mim querem me fazer mal, um quer se matar, a outra não sabe o que faz - apenas me diz para eu entrar em contato comigo mesma - e eu (eu) fico desesperada.
Eu estou tão cansada. Tão cansada que estou ouvindo comfortably numb. De novo. De novo. De novo.
Eu sempre acredito que ao final da crise, tudo finalmente estará bem. A crise é tão ruim que eu não consigo lembrar que depois dela tudo é pior. Estar totalmente destruído e ter a consciência de que só há uma pessoa responsável pela sua reconstrução - você mesmo - é desesperador. Aí a mente cria uma realidade paralela para você viver. E é boa. E é fácil. E te leva exatamente aonde a realidade te levará: a NADA.
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