sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Entorpecida, mas não tão confortavelmente

Comprei uma garrafa de espumante especialmente para enfrentar a realidade. Parar de viver no mundo paralelo e voltar para esse, olhar para o que restou depois da última crise. Parece tão fácil, não é? Continuo enrolando, minha mente quer continuar naquele mundo que ela pode controlar, naquele mundo onde a dor não dói de verdade. As vezes penso mesmo que é melhor, já que a mente consegue simular com muita semelhança o que ela finge que você sente do que você realmente sente. Eu acho. Lembro-me de um artigo sobre o tema, mas pode ser algo que minha mente criou. Isso é ser eu: nunca ter certeza se a memória traz algo que você viveu ou que pensou que viveu. Ou, talvez, sonhou. Tive um sonho péssimo, se todos os presentes no meu sonho são eu mesma, dois de mim querem me fazer mal, um quer se matar, a outra não sabe o que faz - apenas me diz para eu entrar em contato comigo mesma - e eu (eu) fico desesperada.
Eu estou tão cansada. Tão cansada que estou ouvindo comfortably numb. De novo. De novo. De novo.
Eu sempre acredito que ao final da crise, tudo finalmente estará bem. A crise é tão ruim que eu não consigo lembrar que depois dela tudo é pior. Estar totalmente destruído e ter a consciência de que só há uma pessoa responsável pela sua reconstrução - você mesmo - é desesperador. Aí a mente cria uma realidade paralela para você viver. E é boa. E é fácil. E te leva exatamente aonde a realidade te levará: a NADA.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Sobre a insustentável leveza do meu ser

Quando viver dói, existir é um fardo sem peso. Isso não é uma manifestação genuína do transtorno nesse momento. Isso é a consequência de uma crise. É gerado pelos destroços do que sobrou.
Quando digo viver dói, não quero dizer que acordar dói, mas que ter que fazer algo dói. Como, por exemplo, ir ao mercado ou estudar. É encarar o vazio da vida vivida sem sentido. É olhar para um grande buraco onde não se vê o fim. É saber que é apenas perda de tempo e energia, porque a vida (para você) é um eterno recomeço. É a certeza de que em pouco tempo você terá que enfrentar os destroços, o caos e a ausência de motivação outra vez. É saber que você sempre perde o rumo e que jamais é fácil encontrá-lo outra vez. Viver é inútil.
Sobre o paradoxo aparente de um fardo sem peso: é um fardo, porque está sobre seus ombros fazendo pressão, mas é sem peso porque existir é apenas uma escolha.